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"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim, em cada lago a lua toda

Brilha porque alta vive"

Fernando pessoa


sábado, 15 de maio de 2010

11 - 14 de Maio

Esta semana foi um tanto estranha para mim...
Ora me sentia muito feliz, ora estava esgotada, ora estava irritada, ora estava... Sei lá!

No encontro com o Santo Padre, estava super feliz por tudo: poder manifestar-me enquanto cristã; poder mostrar ao mundo que a Igreja existe realmente; poder estar com o Papa, sem ter de percorrer Km (se bem que tem outro espírito, quando o encontro não é no nosso país)...
No entanto, à minima coisa, o meu entusiasmo desmoronava-se e caía num poço de desânimo, de raiva para com alguns que lá estavam, de ressentimento em relação a coisas que nem sequer tinham a ver com o grande acontecimento: a vinda do Papa Bento XVI a Portugal.
No fundo, deixei que um ''zumbido'' me destabilizasse, de tal modo que não tomei atenção à Eucaristia quase toda. Desperdicei algo que poderia ter sido grandioso na minha vida e que apenas serviu para me sentir esgotada fisicamente e acabar por não dar testemunho nenhum!

No entanto, o encontro com o Kiko, Carmen e Pe. Mário já não foi bem assim!
Neste dia já não permiti a entrada do ''zumbido'' nos meus ouvidos. Escutei ao máximo o que consegui e, aí sim, senti-me feliz e uma felizarda por estar no Caminho Neocatecumenal; por conhecer a realidade Cristã; por, graças a estar no Caminho, não ter entrado por caminhos menos bons que certamente teria tomado; por ter quem me corrija, quando opto mal nas escolhas que faço (Dizia o Kiko em Colónia 2005: "Quem ama, corrige") ...

Uma semana que me marcou, não só no lado negativo, mas principalmente no lado positivo. Que apesar de as minhas orações não terem resposta imediata, Deus não se esqueceu de mim. Tal como um pai não se esquece de nenhum dos seus filhos.

Foi estranho, mas muito bom! Nesta semana tive a oportunidade de me reconhecer fraca e débil, que ao mínimo tropeço, fico no chão, na miséria, sem forças para levantar a cabeça e seguir em frente. No entanto, Deus ajuda-me e não me deixa ficar para trás nesta caminhada rumo à minha conversão!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Carismas

Estava eu no convívio de salmistas em Fátima, no dia 7 (domingo), quando me apercebi que tenho atribuido um sentido completamente fora de contexto ao meu carisma enquanto salmista.
Disse o Fernando ''O salmista não é aquele que canta bem ou que toca muito bem, mas sim aquele que cativa os irmãos à oração'', ou qualquer coisa deste género mas a mensagem foi esta. O facto é que eu uso a estante como palco para mais uma das minhas actuações... Esperando que no final de cada Eucaristia ou Celebração da Palavra me venham dizer que cantei muito bem e que tenho uma bela voz. FARSA! Até agora tenho feito do meu carisma uma verdadeira FARSA. Pois, tendo como maior sonho um dia vir a ser cantora, uso o carisma de salmista para me redimir pelo facto de não conseguir entrar no mundo da música...

Outro momento que me marcou neste convívio de salmistas foi quando o Fernando disse ''Cantar é rezar duas vezes''... Oh meu Deus, quantas vezes vou eu para a estante sem este espírito? 95% das vezes! E porquê? Porque vou para mais uma das minhas actuações e não para levar os irmãos à oração!

Acho que nunca tirei tanto proveito de um convívio como tirei deste último.
Pois bem, também neste convívio, pude entender o sentido de alguns cânticos... Pois, dei-me ao trabalho de ler simplesmente o que alguns cânticos têm escrito. Foi gratificante!


Bem, vou ficar por aqui... De resto, na minha vida, ''está tudo na mesma como a lesma'' (expressão muito usada cá em casa!)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dar um salto

Hoje houve uma coisa que me sensibilizou em especial, e outra que me deixou chateada.
Esta tarde, estive na biblioteca da minha escola porque amanhã tenho exame de direito e estava com mais duas colegas da minha turma.
Uma delas, a certa altura, estava a falar da história de vida dela, por causa das notas e que quando ela era da minha idade só andava na rambóia e levava a escola pouco a sério. Depois desta conversa, ela referiu que uns estudantes de Medicina da Faculdade de Coimbra, foram para o Haiti para ajudar voluntariamente nos "Médicos de Rua". E acho que lhes fizeram uma entrevista, e o que eles disseram foi que "Voltar para Portugal? Não me apetece!". Isto sensibilizou-me, porque de facto é impressionante como a América e os outros países se disponibilizaram prontamente a ajudar, e nós nada. Mas fiquei pensativa em relação a isto, porque eu sinto-me incapaz de fazer alguma coisa. A Ana e a Laura, já falaram disto, eu sei. Eu também sinto uma vontade de dar um salto, mas eu sei o salto quero dar, penso eu. Mas isto também me fez lembrar do voluntariado que fiz na Casa da Fonte, e de todas as histórias de vida de cada criança que passou por nós, e o que vejo no Haiti é exactamente o mesmo.
Ai, a minha cabeça está num turbilhão de ideias, de pensamentos e de objectivos que agora não estou a conseguir exprimir, mais uma coisa que me chateia. Eu perco um bocado a vontade de escrever, quando vejo que há coisas com que as pessoas se preocupam, coisas mínimas comparadas a estas tragédias que ocorrem no mundo. Bem eu não consigo dizer mais nada.

Um desafio

Venho propor um desafio aos membros do Conversas Interiores: isto está às moscas (por causa de nós que não escrevemos), para acabar com isso proponho escrevermos pelo menos 1 vez por semana, mesmo que vos pareça rídiculo e pouco interssante.
O que é que me aconteceu mais significativamente nestes últimos tempos?! Tive uma péssima nota a gd e apercebi-me que fui uma tótó na faculdade pois, se fosse menos preguiçosa teria melhores notas! mas pronto a vida continua... só não estou em férias totais porque tenho a melhoria em Fevereiro! Fiquem bem

sábado, 16 de janeiro de 2010

"Pequena" por conta própria

Lembram-se de ter falado que queria deixar a minha marca no mundo? Esse é dos meus maiores desejos embora não saiba o que é que o impele. Será o meu orgulho? Será aquela ansiedade de me sentir realizada? A mania das grandezas? Há muito tempo que me sinto chamada a ajudar aquelas pessoas que se vê no filmes e nas notícias, que se lê no livros e nos jornais, que se fala com voz compadecida. Mas que não se tem muita noção que vivem ao nosso lado? Há algum tempo que quero e, não sei... há alguma coisa que me vem de dentro e me faz desejar... sei lá! Apetece-me muitas vezes deixar tudo e num imenso desprendimento de mim, ser capaz de me dar completamente.
Mas o que eu também me tenho apercebido é que este desejo não é nada. NADA! De nada serve! De nada serve se sou eu própria que construo entraves para a sua concretização. Não é significativo enquanto estou à espera que aconteça alguma coisa grandiosa para que eu possa fazer uma acção de igual tamanho. Estou de tal modo embrenhada nos meus sonhos que não vivo no presente, não torno os meus sonhos plausíveis de se realizarem. Sou as minhas correias. Muito paleio e continuo na mesma. SOU "PEQUENA" POR CONTA PRÓPRIA!
No outro dia estive a ver na Oprah (um programa de televisão que dá por vezes na SIC Mulher) várias pessoas que começaram com gestos pequenos como oferecer umas meias a um sem-abrigo e que, dando-se, tinham ajudado muito mais gente. Havia um homem que doava carros aos que mais necessitavam, um hotel que hospedava quem não tivesse onde dormir, uma mulher que oferecia lençóis que os hóteis deitavam fora. Outra mulher que, do nada, comprou uma casa para outra que a ía perder!
Acho isto magnifico, acho esplêndido que haja tanta bondade no coração do ser humano. Isto faz-me acreditar em Deus. Quem são estas pessoas que, no fundo, são pequenas imitações de Cristo? Eu posso ser uma dessas pessoas! Qualquer um de nós pode.
Tenho que fazer qualquer coisa! Estou farta que a esta impassividade tenha controlo sobre mim.
Sei o que posso fazer. Há uma data de coisas por onde começar. Coisas simples que, embora me pareçam insignificantes, significam tudo, para outras pessoas. Mas não tenho a solução perfeita. Não sei como romper o ciclo, como destruir a parede, como atravessar a linha entre aquilo que penso que deveria fazer e a acção em si. Como o fazer?
No poema de Fernando Pessoa em cima escrito está resumido aquilo que pretendo ser e fazer: tenho tantas expectativas de mim mesma e, como só a parte do pensamento entra, como não me dou por inteira, a minha lua não brilha. E eu quero que ela brilhe! Quero ser inteira, ser eu! Com os meus defeitos e qualidades! Deus pôs-me aqui por alguma razão e eu estou a desperdiçar tempo!
E no entanto, enquanto escrevo isto, eu própria não consigo acreditar totalmente que consigo passar à acção, tenho receio que vocês fiquem desiludidos comigo porque estou a escrever isto muito animada e decidida mas, provavelmente, não verão grandes, ou nenhumas, alterações (já aconteceu esperarem de mim aquilo que não lhes dei). Tenho medo de me desiludir a mim própria, de continuar a meio gás, de ser uma pequena parte de mim mesma.
Como acabar este texto, este pensamento? Talvez deva deixar por concluir porque a minha tarefa ainda não foi cumprida.